19 novembro 2017

Alergia nos olhos


Os olhos estão em contato direto com o meio ambiente, sendo alvos frequentes de reações alérgicas, que podem comprometer as pálpebras, cílios, conjuntiva, córnea e úvea.

ALERGIA NAS PÁLPEBRAS

- Dermatite de contato aos cosméticos, com destaque pelo esmalte de unha. O aspecto clínico é de descamação e eczema na região das pálpebras.

- Dermatites de contato irritativas ou alérgicas provocadas por colírios, seja pelos medicamentos (pelas substâncias ativas) como pelos preservativos empregados na conservação dos colírios. 

-  Inchação (edema) das pálpebras que podem acompanhar os processos de angioedema.

- Blefarites, que são processos inflamatórios (nem sempre alérgicos) que acometem as bordas palpebrais, na região dos cílios. 


ALERGIA NA CONJUNTIVA - CONJUNTIVITE ALÉRGICA

A conjuntivite alérgica em geral acompanha a rinite alérgica. Manifesta-se por coceira nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento e incomodo com a luz solar ou artificial intensa (fotofobia). A coceira ocular pode ser muito intensa, acompanhada de agressão dos olhos pelo ato de coçar.

A conjuntivite alérgica quase sempre é decorrente da sensibilidade aos ácaros da poeira de casa e outras substâncias como fungos do ar, mofo, pelos de cães e gatos, polens de plantas. Pode piorar pela atuação de agentes irritantes como fumaça, ar refrigerado, poluição e vapores químicos.  A associação com a rinite alérgica indica a origem do processo e a confirmação diagnostica é feita pelos testes cutâneos.

A conjuntivite alérgica deve ser diferenciada das outras conjuntivites infecciosas por vírus ou bactérias. Nestas é comum o acometimento de apenas um dos olhos, o olho está intensamente injetado, com dor e sensação de areia. Na conjuntivite alérgica a vermelhidão é mais leve, menos demorada e a coceira é o sintoma mais destacado.


ALERGIA NA CÓRNEA E ÚVEA

A córnea pode apresentar quadros inflamatórios chamados de ceratite, quase sempre acompanhados de conjuntivite, constituindo a ceratoconjuntivite. 

Os quadros de uveíte caracterizam-se por comprometimento inflamatório na camada vascular dos olhos e podem ocorrer por hipersensibilidade ao bacilo da tuberculose.


AVALIAÇÃO DA ALERGIA OCULAR 

É importante observar o histórico de cada paciente, as características clínicas, os sintomas apresentados, além dos achados no exame físico. Estes são a base para o diagnóstico e para diferenciar de outras doenças que podem confundir com as alergias oculares.

CONTROLE DAS ALERGIAS NOS OLHOS

A conjuntivite alérgica quase sempre acompanha a rinite alérgica e por isto seu tratamento deve englobar também o controle de ambiente, ou seja, combate aos ácaros da poeira, em especial no dormitório do alérgico. Medicamentos são uteis para reduzir sintomas, com destaque para os anti-histamínicos por via oral.

A maioria dos colírios é comprada sem receita médica. Mas, todo cuidado é pouco: colírios contendo vasoconstritores ajudam a reduzir a hiperemia (olho vermelho), mas devem ser usados por pouco tempo, pois os vasos da conjuntiva funcionam como os das narinas: após uma ação benéfica vasoconstritora, com redução da vermelhidão, aparece uma ação rebote, vasodilatadora, tão mais notável quanto maior o prazo de uso.

Os colírios de cortisona dão sensação de alivio, mas tem risco potencial de efeitos colaterais como facilitação de infecções, cataratas e glaucoma (aumento da pressão intra-ocular). Portanto, só devem ser usados com orientação médica e pelo tempo determinado.

A imunoterapia com alérgenos, conhecida popularmente como vacina para alergia, utiliza extratos padronizados e têm indicação similar à da rinite. É um importante recurso adicional já que nem sempre é possível colocar em pratica a profilaxia para inalantes, além de ter bons resultados clínicos no controle das conjuntivites alérgicas.


ALERGIAS OCULARES - DICAS FINAIS

• Limpeza da casa cuidadosa e diária, com especial atenção aos quartos de dormir.
• Encapar com material impermeável o travesseiro e colchão.
• Trocar o travesseiro periodicamente.
• Lavar sempre as mãos.
• Evitar coçar ou esfregar os olhos.
• Compressas com água filtrada e gelada ou com soro fisiológico gelado, úteis para alívio na fase aguda da conjuntivite.

05 novembro 2017

Alergia por faixa etária


Muitos brasileiros já enfrentaram ou conhecem alguém que já teve algum tipo de alergia. É comum que se pense que as crianças são as maiores vítimas, mas um estudo apresentado no congresso anual do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia mostrou que quase metade das alergias alimentares surgem na idade adulta.
— A alergia é uma reação de intensidade exagerada do organismo a determinados estímulos que são inofensivos para a maioria das pessoas. Quando o corpo entra em contato com essas substâncias, há produção aumentada de um tipo de anticorpo chamado imunoglobulina E (IgE). Quanto maior for a produção de IgE, mais intensa será a reação alérgica — explica o médico Nelson Cordeiro, membro do Departamento Científico de Dermatite Atópica da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).
ma pessoa pode nascer com alergia a alguma substância ou desenvolvê-la ao longo da vida, como acontece com a maioria das alergias de pele.
— Quem entra muito em contato com produtos químicos ou mexe com detergentes e outros itens de limpeza pode desenvolver uma alergia a essas substâncias — afirma a dermatologista Paula Chicralla.
É muito importante que um médico seja procurado assim que a alergia aparecer.
— No caso da alergia alimentar, nem sempre o resultado positivo ou negativo do exame de sangue pode determinar qual é o causador da alergia. O mais adequado seria um teste de provocação oral em que o paciente come o alimento que pode causar reação — comenta Erica Azevedo, alergista e imunologista

Por serem doenças crônicas, as alergias não têm cura, mas podem ser controladas. Seguindo esquema de tratamento que inclui controle do ambiente, medicações de alívio das crises e até vacinas, os pacientes podem ficar livres dos sintomas.




Fonte: Jornal Extra

01 outubro 2017

Alergia X Intolerância Alimentar - entenda a diferença


As alergias alimentares são frequentemente confundidas com quadros de intolerância, porém as causas destas condições são diferentes, assim como seus tratamentos.

A alergia alimentar é uma reação do sistema imunológico (de defesa do organismo) contra algo (alérgeno) que ele julga estranho, em geral proteínas, que podem ser derivadas de alimentos, ácaros, pólens e pêlos de animais. Na alergia, o sistema imunológico responde de forma exagerada e anormal a algum componente do alimento e este é interpretado pelo organismo como um agente agressor.

No caso da alergia ao leite de vaca (APLV), principal causa de alergia alimentar na infância, os principais alérgenos são as proteínas caseína, alfalactoalbumuna e beta-lactoglobulina. O mecanismo imunológico mais frequente na APLV é a produção de anticorpos específicos do tipo IgE contra essas proteínas, que podem ser detectados através de testes alérgicos na pele ou através de exames no sangue. Porém, nem todas as formas de alergia alimentar apresentam IgE aumentada no sangue, especialmente quando predominam apenas sintomas digestivos.
Em geral, os sintomas ocorrem logo após a ingestão do alimento, mesmo em quantidades mínimas, e podem envolver diversos órgãos e sistemas como: tubo digestivo (cólicas, vômitos, diarreia, sangramento nas fezes); pele (urticária); sistema respiratório (chiado no peito); e até mais graves como edema de glote e choque anafilático (queda da pressão com perda da consciência), além de sintomas gerais como dificuldade no ganho de peso e de crescimento.
O tratamento ideal se baseia na exclusão do alimento envolvido e seus derivados da dieta alimentar, o que leva à resolução dos sintomas.

Intolerância alimentar é definida como uma dificuldade do organismo no processo de digestão de determinado alimento, geralmente por falta de alguma substância relevante, como por exemplo, as enzimas digestivas. No caso do leite de vaca, o principal responsável pelos casos de intolerância é a lactose, um açúcar presente em sua composição. A intolerância ocorre devido à ausência total ou parcial da lactase, enzima responsável pela sua digestão. Os sintomas são exclusivamente gastrointestinais (gases, diarreia, cólica, dor abdominal) podendo ocorrer em minutos ou horas após a ingestão do alimento. Diferentemente da alergia, o aparecimento dos sintomas normalmente é dependente da quantidade do alimento ingerida, e geralmente não é necessária a exclusão total do alimento em questão. Muitos indivíduos toleram inclusive a ingestão de derivados (laticínios, iogurtes etc.) que contêm menos lactose que o leite em si.

Diferenciar a alergia alimentar da intolerância é fundamental para que pacientes e seus familiares não sejam expostos a dietas restritivas sem necessidade, que muitas vezes implicam também em restrições socioeconômicas e de qualidade de vida.

Na presença de sintomas relacionados à ingestão de alimentos, uma consulta médica é muito importante para o diagnóstico correto e tratamento adequado.

Fonte - site da ASBAI RJ
Autoria: Comissão de Alergia Alimentar da ASBAI RJ
Dr. José Luiz Magalhães Rios
Dra. Eliane Miranda
Dr. Fábio Chigres Kuschnir
Dra. Maria Fernanda Motta Melo
Dra. Sandra Maria Bastos Pinto