19 fevereiro 2017

Maconha e Alergia



A maconha pode atuar como alérgeno (substância capaz de provocar uma reação alérgica - imunológica). A alergia à maconha (cannabis) resulta de uma sensibilização a uma proteína conhecida como Can s 3, presente na Cannabis sativa. 

A sensibilização alérgica à cannabis pode ocorrer através do consumo ativo com exposição por inalação, contato cutâneo, ingestão ou uso intravenoso. A maioria dos pacientes apresenta rinoconjuntivite e asma e / ou prurido, urticária de contato e / ou angioedema. Os efeitos da exposição indireta à cannabis na sensibilização alérgica ainda são pouco conhecidos.

Recentemente foi publicado na revista americana "The Journal of Allergy and Clinical Immunology" o relato de dois casos em que a sensibilização e alergia de cannabis estava associada a alergias alimentares cruzadas,  parecendo resultar da exposição passiva à cannabis. Tanto a cannabis como as alergias alimentares foram documentadas por uma história completa, testes cutâneos e por testes imunológicos.


Os autores descrevem um adulto e uma criança que apresentam sintomas alérgicos respiratórios e cutâneos na exposição passiva de cannabis e que negam qualquer exposição ativa anterior ao fármaco. Ambos os pacientes tinham sintomas alérgicos generalizados e graves ao ingerir frutas. O diagnóstico da alergia à cannabis foi comprovado e se baseou na história clínica e em testes cutâneos cutâneos positivos.


Em essência, estas descrições de caso suportam a presunção de que a exposição indireta da cannabis sem qualquer exposição ativa anterior poderia ter causado sensibilização e elicitação de sintomas alérgicos à cannabis. Estudos maiores são necessários para confirmar esses achados preliminares.


Alergia a maconha é pouco relatada ao médico, em função de sua ilegalidade.Pode ocorrer em usuários e em trabalhadores que manipulam a maconha. Parece que as pessoas sensíveis a plantas e polens teriam maior risco.  
Os sintomas em geral são discretos, podendo ocorrer rinite alérgica, asma, conjuntivite. Também são descritos casos de coceira e urticária e até mesmo casos graves, com sintomas anafiláticos.

12 fevereiro 2017

Tosse

Tossir é normal. 

É um ato de defesa do organismo contra fatores agressores do aparelho respiratório, como por exemplo, quando estamos próximos a um carro “fumacento”. Mas, pode também ser um sintoma de doenças. 



Como ocorre a tosse:

A tosse é um reflexo complexo composto de uma inspiração profunda seguida pelo fechamento da glote e de uma expiração súbita e forçada, acompanhada da contração dos músculos do tórax, do diafragma. Ao mesmo tempo, os músculos abdominais sofrem uma violenta movimentação em direção ao aparelho respiratório, “empurrando” o diafragma , expulsando o ar. Segue-se a abertura da glote, culminando com a saída ruidosa e súbita do ar pela boca.
Existem ainda os chamados “centros de tosse”, que são verdadeiros sensores localizados na árvore brônquica e ainda em locais variados do organismo, como: seios da face, laringe, esôfago, estômago, coração, etc. Estas estruturas são sensíveis ao reflexo e estão conectadas ao cérebro, que é o verdadeiro coordenador da tosse. Assim, emitem um aviso, o cérebro responde e envia a ordem para desencadear o sintoma. 

Ou seja, a tosse é um reflexo que depende parcialmente de nossa vontade e em alguns momentos não há como evitá-la. O fato destes sensores existirem em locais variados do corpo humano explica o porquê de algumas doenças distantes do aparelho respiratório provocarem tosse, como por exemplo num refluxo gastro-esofágico ou numa inflamação do pericárdio.

Para que serve a tosse?
A tosse é um verdadeiro jato de limpeza: elimina o excesso de secreções e corpos estranhos, como por exemplo, partículas de pó. Defende contra um sem número de agressões: micróbios, infecções, poluição, fumaça, etc.
A tosse pode ser transitória, ou seja, quando desaparece em pouco tempo, ou pode ser crônica, quando permanece por mais de 3 semanas. No primeiro caso, não há problema, mas quando persiste, é importante procurar um médico para avaliar a causa de sua permanência. Na realidade, qualquer tosse deve ser valorizada, pois é a tosse recente que originará a tosse crônica, caso não seja resolvida.


 O que pode provocar tosse?

Situações que provocam tosse: inflamação, secreção anormal, ressecamento ou resfriamento do ar inspirado, corpos estranhos ao local, irritantes químicos e gases. Momentos de estresse emocional são capazes de desencadear o sintoma.


Doenças que podem se acompanhar de tosse: resfriados, gripes, alergias respiratórias, infecções virais, asma, rinite, sinusite, DPOC (doenças pulmonares obstrutivas crônicas), refluxo gastro-esofágico

Citam-se ainda os remédios que podem provocar tosse : alguns antihipertensivos (inibidores da ECA e betabloqueadores), colírios para glaucoma, analgésicos e anti-inflamatórios em pessoas sensíveis à aspirina.
É importante lembrar que uma pessoa pode apresentar mais de uma causa simultaneamente. A análise do médico é preciosa para combater o problema da melhor forma possível.

As doenças que acometem o nariz e os seios da face podem fazer tossir em decorrência do muco que tende a escorrer por trás das narinas em direção à faringe, denominado de gotejamento pós-nasal. Esta secreção provoca os centros da tosse localizados nesta região e provocam um estímulo reflexo em direção ao cérebro, surgindo a tosse. Em geral, ocorre piora à noite pois a permanência na posição deitada durante o sono aumenta o gotejamento e a irritação dos sensores localizados na hipofaringe.

Pessoas que têm asma tossem com facilidade. Um dado curioso é que em cerca de 20% de casos, a tosse pode ser o único sintoma da asma, surgindo em forma de crises, ao correr, rir ou praticar atividades que exijam esforço físico.

A tosse do fumante surge em função da inalação da fumaça contendo várias substâncias químicas nocivas que podem irritar o aparelho respiratório. Muitos pensam que neste caso, tossir é normal, mas não é verdadeiro: é sim, um sinal de agravamento dos males do cigarro.

Causas digestivas podem provocar tosse, como por exemplo nas pessoas portadoras de refluxo gastro-esofágico. Neste caso, há uma regurgitação do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, gerando uma inflamação local e daí ativando os centros reflexos, originando a tosse que em geral é seca com piora noturna e podendo se acompanhar de rouquidão. Nem sempre há sintomas gástricos, como azia, dor ou queimação, acompanhando o quadro.

Crianças: as principais causas de tosse também são a asma, rinite, sinusite e refluxo GE. Uma situação que pode ocorrer na infância é a aspiração de objetos provocando tosse. Além disso, verifica-se o surgimento do sintoma por ação irritativa, como por exemplo naquelas que convivem com fumantes ou em momentos de tensão emocional. A inalação da fumaça do cigarro piora a asma e a rinite, além de provocar tosse mesmo em crianças saudáveis.  Em crianças pequenas, recomenda-se que a mamadeira não seja oferecida durante o sono e na posição deitada pois constitui uma causa comum de piora noturna. A última refeição deve ser feita com a criança acordada, devendo deitar pelo menos uma hora após alimentar-se.

Tosse pós-viral: uma criança pode continuar tossindo semanas após uma infecção viral de vias respiratórias – um exemplo é a bronquiolite – em especial naquelas portadoras de alergia.

Em qualquer idade, uma atenção especial deve ser dada às condições do dormitório, travesseiros e colchões já que os ácaros são causas de alergia respiratória e tosse. A presença de animais domésticos (gatos e cães) pode contribuir, em especial quando permanecem nos quartos ou dormem nas camas junto aos seus donos.

Como combater a tosse?
Procure um médico: é necessário tratar a causa para combater a tosse.


Dicas que podem ajudar:
- Beber muita água, de preferência fora das refeições.
- A tosse pode prejudicar a voz. O atrito brusco nas cordas vocais cada vez que tossimos pode provocar à longo prazo os chamados calos vocais.
- Iniciar uma medicação aliviadora orientada previamente por seu médico. Nos casos de asma, o uso de um broncodilatador, sob forma inalada pode aliviar a tosse e evitar uma crise. Na rinite, a lavagem nasal com solução salina e uso de antialérgico contribuem para a melhora.
- Verificar se existe algum fator no ambiente da casa (pintura, odores ativos, focos de umidade, etc.) e comunicar ao médico.
- Gripes e resfriados têm uma evolução própria, melhorando em geral no decorrer de 4 a 5 dias. A ingestão de líquidos, uma dieta equilibrada, repouso e uso de antitérmicos em geral são suficientes para a cura do processo.
- Evite usar vaporizadores e umidificadores no quarto pois aumentam a possibilidade de mofos, fungos e ácaros no ambiente.

08 fevereiro 2017

Intolerância à lactose não é alergia ao leite: ASBAI esclarece as diferenças  


Lactose causa alergia? 
Essa é uma confusão bastante comum e, por esse motivo, o Departamento de Comissão Científica de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) divulga o esclarecimento abaixo: 

Lactose - é um tipo de açúcar encontrado no leite e não é desencadeadora de alergias, mas sim de intolerância. 
Os sintomas são:
- dores abdominais, 
- diarreia,  
- flatulência e 
- abdômen distendido. 
A especialidade que trata da intolerância à lactose é a Gastroenterologia. 

Leite - a proteína do leite é desencadeadora de alergias. 
Os sintomas podem ser vários:
- placas vermelhas pelo corpo, muitas vezes acompanhadas por coceira, inchaço dos lábios e dos olhos, 
- vômitos em jato e/ou diarreia após a ingestão do leite
- e até a anafilaxia, considerada a reação mais grave. 
A especialidade que trata as alergias alimentares, entre elas a da proteína do leite de vaca é a de Alergia.   

Alguns dados sobre alergia alimentar
- Atinge cerca de 5% da população adulta   
- Entre a população infantil, perto de 8% das crianças das têm algum tipo de alergia alimentar. Dessas, cerca de 350 mil têm alergia à proteína do leite.      

O diagnóstico de alergia alimentar deve seguir quatro pilares: 
1-    A história, que deve ser muito bem avaliada por um médico experiente.   
2-    Exames laboratoriais, que também precisam ser muito bem interpretados, pois nem sempre um IgE positivo indica que o paciente seja alérgico. 
Exames que avaliam a presença de IgG a alimentos não possuem qualquer relevância clínica e não devem ser recomendados na investigação de qualquer tipo de alergia alimentar.   
3-    Dieta de restrição - retirar o alimento, avaliar a melhora para depois expor o paciente novamente ao alimento e, assim, ter a certeza que existe a relação de causa e efeito.    
4-    O teste de provocação oral é que realmente estabelece o diagnóstico. Consiste na oferta do alimento para a criança, em doses regulares, crescentes, sempre sob a supervisão médica. Deve ser realizada em ambiente apropriado, seja  na clínica, hospital ou, até mesmo, dentro da UTI, dependo da necessidade que o médico julgar. 
Nunca deve ser realizado em casa, pois coloca a criança em risco de morte. 

Fonte: ASBAI 
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