12 junho 2017

Vacinas, imunizações e Alergia - esclarecendo dúvidas



  • Existem vacinas contraindicadas para crianças alérgicas? Quais são e por quê?
Sim. Mas, antes de tudo, precisamos saber a quais agentes as crianças são alérgicas. Por exemplo, crianças com alergia à proteína do leite de vaca não devem receber a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) de alguns fabricantes que contém traços de leite. Crianças com alergia grave ao ovo, em princípio, não podem receber a vacina contra a Febre Amarela (contém ovo em grandes quantidades).

  • Todas as vacinas existentes hoje no mercado são eficientes? Ou mesmo vacinando a criança ainda corre-se o risco de contrair a doença?
A maioria das vacinas tem uma eficácia muito alta chegando a cerca de 95% de proteção. Algumas vacinas oferecem 100% de proteção como é o caso da vacina contra o tétano. Embora menos comum, mesmo vacinadas, as crianças podem ter a doença infectocontagiosa. A vantagem é que será uma forma mais leve da doença, na maioria dos casos.
  • Há uma corrente que defende a "Não Vacinação" de crianças. Quais os riscos escondidos nessa decisão?
A vacinação coletiva ajuda a prevenir e acabar com determinadas doenças no mundo. Se as pessoas começarem a não se vacinar ou a não vacinar as crianças, doenças como sarampo podem voltar ao cenário.

  • Adultos alérgicos devem se vacinar também? Quais as vacinas mais importantes para os adultos?

Adultos alérgicos respiratórios, principalmente que têm asma, devem se vacinar contra o pneumococo e contra a Influenza. No calendário do adulto não pode faltar: tríplice bacteriana acelular (tétano, difteria e coqueluche), hepatite B, hepatite A e Influenza. Para as outras vacinas do calendário do adulto, deve-se considerar o risco de exposição e a situação epidemiológica.

  • Crianças e adultos que sabem ser alérgicos, quais os cuidados que devem ter no momento da vacinação?
Alérgicos aos componentes da vacina, ou que tiveram alguma reação alérgica em dose anterior daquela vacina, devem ser avaliados pelo médico antes da vacinação. Os quadros leves de alergia geralmente não contraindicam doses futuras. Em caso de reações alérgicas graves deve-se levar em consideração o risco benefício de vacinar o indivíduo. O risco da doença é maior do que o risco da reação a vacinação? Por exemplo: alérgicos ao ovo e febre amarela. No cenário atual, o risco de contrair infecção pelo vírus da febre amarela é muito grande. Sendo assim, o paciente alérgico a algum componente da vacina deve ser encaminhado para o médico para ser avaliada a possibilidade de vacinação.

  • Como tornar a vacinação um momento menos tenso para as crianças?
Os pais devem passar segurança à criança. Precisam estar calmos e confiantes. Para aquelas crianças que já têm compreensão, deve-se informar que o procedimento é necessário para protegê-los de doenças e suas consequências (internação, faltas à escola, impossibilidade de brincar, etc.). Algumas clínicas e laboratórios dispõem de dispositivos tecnológicos para distrair as crianças enquanto recebem a picada da vacina. Brinquedos, ambiente agradável e decorado podem ajudar a distrair os pequenos.

Fontes: JB e ASBAI

08 junho 2017

Criança pode ter urticária crônica?



Nas crianças pequenas é mais comum a urticária aguda, enquanto a crônica é mais prevalente a partir da idade escolar.

As causas mais comuns da urticária aguda são:
- Alimentos (nas crianças pequenas, leite de vaca, ovo, soja, amendoim e trigo. Nas maiores: frutos do mar, nozes e castanhas)
- Medicamentos (em especial: analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos)
- Infecções (causadas por vírus ou bactérias)
Embora popularmente seja muito lembrada, a urticária causada por corantes e aditivos alimentares não é tão comum como parece.
Em algumas crianças, a combinação entre a infecção viral e o uso de medicamentos, principalmente os analgésicos e anti-inflamatórios não hormonais (AINH), podem desencadear o quadro de urticária.
A urticária crônica é mais frequente em adultos, levando a pensar que não ocorra na criança. Na verdade, existem poucas informações sobre a sua prevalência na infância. No Reino Unido a frequência varia de 0,1% a 3%. Destas, 50 % a 80% podem estar associadas com angioedema (inchaço). A maioria das informações são indiretas e extrapoladas dos adultos.
A urticária crônica nas crianças pode comprometer a qualidade de vida, afetando a relação com o meio social, acarretando falta às aulas e prejuízo no aprendizado e aos pais de deixarem de trabalhar.

Diagnóstico da urticária infantil
O diagnóstico é clínico, ou seja, se baseia na avaliação feita pelo médico, baseado na história, exame físico e, se necessário, exames complementares. Não há um teste ou exame definitivo para fazer o diagnóstico da urticária.

A história clínica detalhada é o principal meio de diagnóstico. São considerados dados importantes como: tempo de início, frequência e duração das lesões; presença de outros sintomas, edema (inchaço), outras alergias ou infecções; ingestão de alimentos; relação com agentes físicos ou exercícios; uso de medicamentos; estresse, entre outros.
A urticária aguda na grande maioria das vezes não necessita de exames complementares, sendo mais necessários nas formas crônicas.

Tratamento da urticária na infância
Cuidados gerais
- Identificar e remover a causa;
- Orientar sobre a doença;
- Tratar sintomas associados
- No caso de alimento, retirada completa do alimento causador
- Combater agentes infecciosos, parasitários e doenças associadas

Uso de medicamentos
A medicação tem objetivo de aliviar os sintomas e os anti-histamínicos (antialérgicos) são a base para tratar a urticária nas crianças. Recomenda-se, preferencialmente, os produtos modernos conhecidos como anti-histamínicos de segunda geração como a primeira opção de tratamento.
Cetirizina, levocetirizina, desloratadina, fexofenadina e loratadina estão aprovados para o uso pediátrico. Todos são eficazes e bem tolerados. Crianças com urticária de difícil controle podem ser tratados com doses de até quatro vezes as preconizadas, com bons resultados, mas sempre com orientação médica.
O uso de corticoides não é uma rotina, sendo restrito apenas aos casos necessários, ou seja, nas exacerbações e por períodos curtos de tempo. Recentemente foi lançado para tratar os casos de urticária crônica espontânea um anticorpo monoclonal (omalizumabe), mas este está indicado apenas para crianças maiores de 12 anos de idade.

Dicas finais

- Urticária não é contagiosa e não "pega".
- Não há necessidade de dieta, a menos que o médico indique.
- Corantes e conservantes não são causas mais comuns de urticária. Cada criança deve receber uma orientação específica para seu caso. 
 - A medicação deve ser mantida pelo tempo indicado pelo médico.
- Evite parar de usar o remédio para "testar" o efeito.

Aos pais:
- Aproveitem o momento da consulta para esclarecer dúvidas.
- Se houver dúvidas quanto à causa, recomenda-se fazer um "diário" onde devem ser anotados alimentos, medicamentos e hábitos da criança.
- Evitar medidas ou tratamentos caseiros.

Autoras:
Dra. Solange Oliveira Rodrigues Valle - Membro do Deptº. de Urticária da ASBAI
Dra. Maria de Fátima Epaminondas Emerson - Coordenadora da Comissão Especial de Assuntos Comunitários

28 maio 2017

Rinite Alérgica na gravidez


Rinite alérgica - sintomas principais:
Espirros repetidos,
Coriza líquida -  "nariz escorrendo",
Coceira em narinas, olhos, ouvidos, céu da boca, ouvidos
Obstrução nasal - "nariz entupido"
Pode surgir também gotejamento de secreção que escorre pela parte posterior do nariz, provocando pigarro ou tosse.
Em alguns casos, pode se acompanhar também de conjuntivite: olhos avermelhados, irritados, lacrimejando e coçando. Por isso, pode ser confundida com gripes e resfriados.
A gestante, mesmo que não seja alérgica, apresenta uma tendência para ter obstrução (entupimento) nasal, como consequência do efeito dos hormônios aumentados durante a gravidez. Seria de se esperar, portanto, que a mulher portadora de uma rinite alérgica antes de engravidar, tivesse mais propensão à piora na gestação. Entretanto, estudos científicos mostram que este padrão não ocorre: enquanto algumas pioram, outras melhoram ou não modificam sua rinite durante a gestação.

Reflexos da rinite durante a gravidez
A rinite muitas vezes não é valorizada, sendo considerada uma doença de pouca importância, mas não é verdadeiro. A manutenção dos sintomas e principalmente da obstrução nasal pode provocar complicações e prejudicar o desenvolvimento da gravidez. As principais são:
- Sinusite,
- Tosse crônica,
- Respiração bucal e
- Piora ou surgimento de asma
A sinusite é a complicação mais freqüente, pois a imunidade da mulher se altera durante a gravidez, facilitando a instalação da infecção bacteriana. Os sintomas principais da sinusite são: dor de cabeça, obstrução nasal persistente, secreção catarral do nariz, febre ou mal estar. Em algumas pessoas pode se manifestar apenas com acessos de tosse, piorando à noite. 

A rinite alérgica provoca obstrução nasal, que pode se tornar muito intensa. As narinas constantemente obstruídas obrigam a gestante a respirar com a boca aberta (ou semi-aberta), o que termina por provocar pigarro, ressecamento, infecções de amígdalas ou da faringe, além de prejudicar o sono, impedindo um repouso adequado e afetando a sua qualidade de vida. Além disso, a respiração feita pela boca leva um ar mais seco e mais frio para dentro dos brônquios, o que pode influenciar na asma, provocando crises.

Relação entre a rinite e a asma
A rinite é uma inflamação das vias aéreas superiores, isto é, nariz, faringe e laringe. A asma acomete vias respiratórias inferiores, como os pulmões, em especial os brônquios. Assim como as vias respiratórias se interligam, as duas doenças têm características muito semelhantes. Cerca de 80% dos asmáticos têm também rinite. Sabe-se também que a presença da rinite tende a agravar e provocar crises de asma.

Tratamento da rinite durante a gestação
O controle da rinite na gravidez é importante não só para dar conforto à gestante, mas também para prevenir efeitos adversos indiretos sobre a gestação devido a alterações no sono, paladar, olfato, assim como para impedir que atue como fator agravante e/ou desencadeante de crises de asma.

Os remédios de maneira geral podem ser usados com segurança, mas sempre prescritos pelo médico. Além disso, é importante pesquisar os fatores de piora, que variam em cada pessoa.

Algumas mulheres, por medo do tratamento, preferem recorrer ao uso de "gotas nasais" por conta própria, com a crença de que sejam inócuas. Mas estes remédios não resolvem o problema e, pelo contrário, pioram o entupimento nasal, levando ao vício. Além disso, prejudicam o olfato e podem provocar aumento da pressão arterial. Hoje existem medicamentos específicos para uso intra-nasal, autorizados para uso na gestação, controlando os sintomas nasais de forma segura tanto para a mãe como para o feto.

Mas, tratar não é só tomar remédios...

Ácaros da poeira domiciliar são importantes fatores agravadores da rinite alérgica e por isso recomendam-se os cuidados com o ambiente da casa e em especial do quarto da gestante.

O uso de vacinas antialérgicas (imunoterapia) não é contra-indicado na gestação, mas deve ser decidido pelo alergista, de acordo com as necessidades de cada  paciente.




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